2032, o casamento do Lucas…
Alguns posts atrás, eu fiz uma reflexão sobre a questão da qualidade do trabalho em eventos de criança x a “atenção” dispensada ao cliente quando se trata de um casamento.
Quem quiser relembrar, clique AQUI.
Longe de mim desmerecer o ritual que envolve um casamento. Na verdade estou mais para aproximar o aniversário das crianças para o casamento do que o contrário.
Na última semana, eu tive a grata oportunidade de fotografar o Aniversário do Lucas, esse garoto aí da foto principal, de camisa verde.
Mais que chegar ao lugar e sair apertando botões, procurei relembrar o que tinha escrito e, ao fazê-lo, me perguntei o que EU -se fosse o Lucas- gostaria de ver daqui a 22 anos na minha retrospectiva de casamento (aquele momento, normalmente na recepção, em que todos param para ver fotos antigas dos noivos e rir à beça, ou se emocionar a valer).
Não, não pensei na ANNA, a mãe que me contratou. Nem no pai dele que me recebeu como um amigo quando cheguei lá, mesmo sem nunca ter me visto na vida. Arriscado, eu sei, afinal quem está me pagando e vai me contratar novamente ou não um dia, são eles, ou os amigos deles…rs…
Optei por me imaginar LUCAS por um segundo.
Naquelas 4 horas, fora eu o Lucas aos 7 anos, louco por futebol, rodeado de amigos da escola, num espaço fantástico, com tiroleza(sic), escorregadores de diversos tipos, quadra de futebol de areia, doces e guloseimas prá tudo quanto é paladar, a ÚLTIMA COISA que eu quereria na vida era que algum cara desconhecido com uma camera enorme apontada prá mim, ficasse me enchendo o tempo todo.
Baseando-se nessas premissas, saquei a 70-200 da mochila e lá fui eu.
Então, imaginem-se que vocês estão no Casamento do Lucas, daqui a 22 anos, olhando para uma imagem em 3D gerada da ponta de uma caneta hightech qualquer. No meio da projeção, aparecem algumas fotos feitas com uma máquina antiga, uma tal de 5DMKII que fora um ícone do seu tempo e que a maioria dos convidados não conhecem, só você e a sua turma da terceira idade…rs…
A primeira, prá fazer todo mundo rir ao ver como era minha cara quando estava prestes a aprontar…
A próxima, mostrando como eu era bom “no gol”, na época em que o Rogéri Ceni ainda era só goleiro do meu São Paulo.
Talvez, e só se a essa altura ela já estivesse com uma aliança com o meu nome no dedo dela, mostrar prá todo mundo com era a mulher por quem me apaixonei aos 7 anos.
Ou ainda, segundos antes de eu me atirar pendurado por um cabinho fino, de uma altura 3 vezes a minha, o registro do meu melhor amigo me olhando e me incentivando: coragem! O mesmo amigo que, por certo, estará vestido de padrinho, e a estas horas, enxugando uma lágrima que lhe escapa dos olhos.
Por último, meu pai & eu… comemorando o gol que eu fiz jogando EU & ELE contra “O RESTO”, inconscientemente comemorando A VIDA, que me traria até o dia de hoje: 17 de março de 2032.
Desculpem o post longo, mas foi impossível contar essa história em um espaço menor.
Grande abraço, e: Obrigado Lucas…. por eu ser fotógrafo.
2leep.com











é meu caro, me fez chorar…
quando tiver filhos, já sei quem será o fotógrafo. finalmente! vem de sampa pra cá? :-D
rubens, fiquei realmente emocionado com este post. Uma verdade que me fez repensar o ‘ser’ fotógrafo hoje em dia.
Rubens… Que lindo post, cheio de sensibilidade tanto nas fotos quanto nas palavras. Belíssimo trabalho!